Capitulo
1 – Apenas aproveite... enquanto pode!
POV’S
Samantha Vicenzo:
Sai
ansiosa e nervosa do carro de minha mãe, prometendo não voltar
muito tarde. A casa de Becca era enorme e era estranho eu ir lá pela
primeira vez sendo que conhecia Rebecca a apenas uma semana. Parei
respirando fundo e puxando a manga do casaco por cima das mãos e vi
Valentina sair do carro, também conhecia Val a uma semana, mas o
período de testes conseguiu me aproximar de algumas pessoas, apesar
da minha timidez fora do comum, acenei gentilmente e esperei que ela
fosse até onde eu estava para que fôssemos até a entrada da casa.
Seguimos juntas pela trilha de pedras que dava para a porta que
estava entreaberta.
Pensei
em como a semana tinha passado muito depressa e em como estava feliz
pelo fato de que se entrasse na Step Up – Academy já teria amigos.
Quando entramos na casa, percebi que assim como eu, Val estava
encantada, a casa era cheia de fotos de família e troféus de dança,
porque pelo motivo mais perfeitamente possível, Becca e André eram
filhos da dupla 'coreografo e bailarina' mais famosos do Canadá. Eu
tinha um poster da mãe dos dois colado na porta do meu armário
desde os 10 anos, mas claro que não falei isso pra eles.
Os
outros já estavam reunidos na sala, com varias garrafas de bebidas
(que eu não pretendia nem chegar perto, porque minha mãe era o mais
controladora possível), de repente me senti boba e deslocada, era
muito mais fácil conversar com todos ali quando ainda estávamos em
testes, todos com a mesma ambição, mas eu sabia que se por um
milagre do destino eu entrasse na academia, não poderia ir, minha
mãe nem ao menos sabia que eu tinha feito os testes, ela ainda
achava que eu tinha ido a um retiro de matemática durante a última
semana.
Mas
então eu olhei para o rosto distante e lindo de Peter Dall'Amico, me
fez reviver o modo como nos conhecemos, Becca já tinha nos abordado
como seus novos amigos, mas Peter estava sentado ao lado de Doug,
calado e com o olhar baixo, quando a conversa caiu na futilidade de
Valentina, eu resolvi me levantar e sentar ao lado de Peter, que
parecia tão entediado quanto eu. Fiquei encantada com o modo de ele
falar olhando no fundo dos meus olhos e puxando o capuz do casaco por
cima da cabeça cada vez que eu falava algo. Conversamos sobre tudo e
sobre nada, me senti realmente entendida por alguém, mesmo que esse
alguém fosse tão perturbado quanto eu.
Porém,
a voz fina de Valentina me trouxe ao mundo real novamente, peguei uma
garrafa de vodca da mesa, porque também foda-se a minha mãe que
nunca me aceitou do jeito que eu sou e foda-se a minha irmã
perfeita, eu só preciso dançar e entender quem eu realmente sou.
POV's
Nicolas Folk:
A
noite estava passando lentamente, eu prestava atenção em cada
palavra que Becca dizia, o jeito que ela falava animadamente sobre
suas fotos antigas me deixavam muito deslumbrado.
-
Nessa foto eu fui a minha primeira aula de balé, fiquei tão
entendiada com aquelas meninas de coque e meias calças cor de rosa
que rasguei a minha, minha mãe achou que fosse só fase, mas eu
sempre preferi hip hop – ela gesticulava e falava alto e eu ficava
embasbacado com aquela menina pequena e linda.
-
Becca, sua voz ta estranha, quanto de uísque você bebeu? - a
observação de André realmente fazia sentido, ela estava falando um
pouco como se tivesse chorado por horas.
-
Não sei, mas também não te interessa!
-
Hoje é nossa última comemoração antes de sermos massacrados pela
academia – defendi Becca, não que achasse certo beber tanto, eu
mesmo me limitava a uma lata de cerveja.
-
Não sabemos se realmente entramos na academia... - Samantha que
estava com uma garrafa de vodca na mão e com a cabeça apoiada no
ombro de Peter, me dirigiu um olhar inseguro e eu pensei na
possibilidade de não entrar.
-
Temos que pensar positivo Sammy! - Valentina e sua voz estridente
encheram a sala, e eu tive que assentir com a cabeça pois eu
realmente esperava ter entrado, para pelo menos minha mãe aceitar
que mesmo sendo um “vagabundo”, eu era bom no que gostava.
-
Eu concordo com a Val, mas vocês devem saber que as aulas são bem
complicadas, mas eu não vejo a hora de começar o segundo ano –
Andy olhava fixamente para a irmã, para ter certeza de que ela não
dormiria no chão a qualquer momento. Valentina se levantou e mudou
de lugar ficando posicionada na frente de Andy.
-
Realmente... a academia deve ser fantástica! - o tom de voz dela era
óbvio e ela estava se atirando, e como se eu ninguém visse eles
começaram a se beijar de modo intenso, incrível como Val podia ser
tão meiga e tão... impura?
-
OOOOOPAAA o que é essa sem-vergonhice no meio da minha sala! - Becca
gritou com a voz enrolada.
-
Do que você ta falando menina? - Andy olhava abismado para a irmã e
nós assistíamos tudo.
-
Você,menina, mal conhece o meu irmão, e não pode sair beijando por
aí, te achei toda meiga, e acho que você é mesmo, mei-galinha!
-
Becca vai dormir e para de dizer besteiras! - ele gritava com ela mas
falava devagar como se ela tivesse seis anos.
-
VALENTINA DIGA ALGUMA COISA SUA... - ela se interrompeu e colocou a
mão na boca, de repente a roupa inteira de André estava coberta de
vomito, numa tentativa de ajudar segurei ela, porém ela desmaiou em
meus braços.
-
Olha os problemas que essa garota me arruma, Nick leva ela pro quarto
por favor? É a primeira porta no topo da escada. - olhei em volta
como que suplicando, mas como alguém saberia o que eu estava
sentindo?
-
Ta bem
-
OOH amigo, olha onde vai por a mão viu, eu não quero nenhum
pervertido com a mão na coxa da minha irmãzinha bêbada! - comecei
a rir e o mandei ficar quieto enquanto carregava Becca. Ela estava
cheirando a uísque, menta e vomito. E eu olhava seus olhos bem
fechados com doçura, quase que com vontade de beijá-la levemente.
Entrei no quarto e a coloquei na cama, deveria ter saído em seguida,
mas sentei ao seu lado e comecei a observá-la dormindo, ela parecia
um coala, no sentido fofo claro, as bochechas rosadas, os lábios
cheios e um pouco ressacados e o cabelo bagunçado de modo perfeito.
Antes que ficasse mais estranho, levantei-me e voltei para a sala.
POV'S
Valentina De La Vega:
Eu
via Nick se afastar com Becca no colo e me perguntava se ela estava
falando sério sobre eu não poder beijar seu irmão, bem... fala
sério! Ele é mais velho e menos bobo que ela. Eu claramente não ia
deixar afetar minha amizade com ninguém, eu não queria ser sozinha
e solitária dentro da academia, a qual eu tinha CERTEZA que tinha
entrado.
-
Becca exagerou na dose ein? - Sammy ria de se acabar da situação,
eu a observava tentando entender seu jeito marrento, grosseiro e
estupidamente tímido. Queria ter me aproximado de pessoas menos...
estranhas?
-
Não fala assim... - Andy ria também - ela pode ser idiota e boba
mas ainda assim é minha bobinha! - resolvi rir também, talvez André
reparasse que minha risada não parecia como uma foca morrendo como a
de Samantha.
- Que
risada forçada Val! - Sammy gritou e se atirou ao meu lado no sofá,
o hálito dela cheirava a vodca e limão, e ela parecia zonza.
- Pelo
menos não pareço um animal parindo! - rebati com toda a força e a
empurrei para trás - você está completamente bêbada! - Sammy
assentiu e eu saí de perto dela.
- Acho
que já vou para casa, minha mãe me mata se eu chegar depois das 4h
e bêbada ainda por cima! - eu falei alto, dando a entender que
queria que alguém me acompanhasse até em casa.
- Mas
você não tá bêbada – Andy me olhou nos olhos enquanto falou.
- Não
completamente mas não posso dirigir nessa situação! - ele
realmente não entendera a indireta? Faça me o favor!
- Eu
posso te levar pra casa, eu e o Peter moramos juntos e claro,
sozinhos, posso te levar agora com seu carro e o Peter me busca
depois – Douglas,aquele menino que parecia um marginal cheio de
tatuagens (apesar de só termos 15 anos, mas pelo que eu entendi o
pai dele era tatuador. Família inteira estragada), se ofereceu e eu
me senti uma... sonsa! Tive que aceitar porque André já tinha pego
o celular e não estava mais se importando com a conversa, peguei
minha bolsa e o celular que estava numa mesa ao lado do meu copo, me
despedi de todos e segui Douglas em direção a porta.
- Fui
o caminho inteiro ignorando os olhares de Doug para mim e dando fim a
qualquer começo de conversa possível. Ele se sentiu desconfortável,
eu sei, mas sinceramente, eu é que deveria estar, com um doido
tatuado e bêbado dirigindo o meu carro e colocando minha vida em
risco!- Você poderia pelo menos me dizer em que lugar da rua fica sua casa? - indiquei secamente onde era, ele saiu do carro e depois eu, esperei uns minutos na porta, mas ele disse que Peter demoraria, eu não sei se ele queria que eu ficasse lá com ele, mas de qualquer jeito, eu não o fiz, peguei minha bolsa, dei uma despedida idiota e segui em direção a porta da minha casa. Douglas ficou ali, parado, olhando eu me afastar.
POV's
Peter Dall'Amico:
A
nossa “festinha” já estava ficando chata, mas eu estava com
muita vontade de ficar lá, ao lado da Sammy, ela me compreendia
muito, mesmo estando completamente bêbada, ela conseguia ter
conversas realmente maravilhosas comigo.
- O
que vai ser de nós se não entrarmos na academia? - eu a olhei no
fundo dos olhos, eu... bem não tinha feito os testes realmente por
interesse próprio, eu amo dançar mas eu só quero curtir a vida ao
lado de alguém que me entenda, mas a pergunta da Sammy me assombrou
por mais tempo do que eu realmente queria.
- Fala
sério Sammy! Você dança de um jeito tão perfeitamente belo que
acho difícil você não entrar! - ela sorriu sem mostrar os dentes,
olhando pra baixo, e eu me senti o cara mais sortudo do mundo por
conhecer uma menina tão perfeita.
- Ah
Peter... - ela estava envergonhada e as bochechas dela ficaram
vermelhas, eu afastei uma mecha de cabelo de seu rosto e ficamos
assim nos olhando por um tempo.
- Gente,
desculpa mas eu já to quase morrendo de tanto sono, sem querer ser
grosso mas vocês podem me ajudar a arrumar tudo? Amanhã a gente se
vê, se minha irmãzinha não tiver tido um colapso até lá! - me
levantei de um pulo e ajudei Sammy a levantar também.
- Tudo
bem – ela respondeu meio grogue e começou a recolher as garrafas
e pratos sujos de cima da mesa, eu a ajudei, quando terminamos me
ofereci para levá-la embora, ela olhou para os lados como que
pensando como voltaria para casa, por fim aceitou.
- Essa
noite foi a gota d'água estou esperando para ficar de castigo pelo
resto da vida, são mais de duas? - Samantha parecia falar com
amargura, olhei no relógio do meu pulso para saber que horas eram,
e me apavorei por ela.
- Mais
de quatro... - ela deu de ombros e se jogou no banco do passageiro
do meu carro, me sentei ao seu lado e de repente me lembrei que
teria que buscar Doug onde quer que ele estivesse.
- Droga,
me diz seu endereço, eu ainda tenho que ligar pro Doug e saber onde
ele está – ela me disse seu endereço e a vi balançar a cabeça
de um lado para outro, talvez pensando na desculpa que daria a sua
mão por chegar tão tarde e no carro de um desconhecido.
- O
que sua mãe achou sobre os testes para a Academia? - ela me
perguntou receosa e hesitante, a olhei de lado sem tirar os olhos do
volante.
- Ela...
- respirei fundo – Sammy, ela se mudou pra Europa com meu pai
quando eu tinha 6 anos, eu não tenho notícias desde então, e até
os 13 anos eu morava com minha tia, depois me mudei pra casa do
Doug... - Sammy me olhou com os profundos olhos escuros e doces
dela, olhos de consolo, não de pena, assim como eu, ela sabia que
pena é o pior sentimento pra sentir por uma pessoa.
- Eu...
Peter... bom eu não sei o que dizer.
- Não
diga nada... - ficamos em silêncio por alguns momentos, e então
entramos na rua dela.
- Minha
mãe não sabe que eu fiz testes para a Academia, ela não sabe que
eu faço aulas de dança, ela acha que não leva a nada, minha irmã
é a preferida... eu acho que preferia morar nas ruas do que nesta
casa idiota! - ela falou tudo rápido e com a voz embargada graças
as lágrimas que iam brotando em seu rosto.
- As
famílias deveriam ser nosso porto seguro... mas NUNCA é assim! -
ela continuou, depois colocou a cabeça entre as pernas e deixou as
lágrimas correrem livremente por seu rosto, eu a levantei
delicadamente, e comecei a acariciar seu rosto limpando suas
bochechas.
- Podemos
criar nosso próprio porto seguro – segurei seu rosto entre minhas
mãos e a beijei levemente no canto da boca, queria aproveitar cada
milésimo do momento.
- Eu
gosto dessa ideia – ela me beijou na bochecha e abriu um sorriso
enorme, assim como eu.
- Não
importa o que acontecer Peter, eu sei que a nossa amizade vale mais
do que qualquer coisa – meu coração palpitou com a palavra
amizade, eu sentia algo a mais por ela, e ela por mim, mas nós dois
sabíamos que era cedo, e que era sem fundamento estragar o que
tínhamos.
- Claro!
- eu passei a mão pelo seu cabelo e ela me abraçou pra se
despedir, abriu a porta do passageiro e cambaleou até a entrada de
sua casa, assim que ela entrou, eu saí a procura de Doug.
Fim
do 1° capítulo







